Conferência “Os caminhos da água no Vale do Este, nos séculos XVIII e XIX – do canal real aos canais de D. Maria”
No passado dia 3 de julho, a Cooperativa Eléctrica do Vale d’Este promoveu mais uma conferência enquadrada no programa da comemoração do seu 95º aniversário, dirigida aos seus cooperadores e à comunidade em geral, reforçando o seu compromisso com a valorização do território e com a memória coletiva.
O tema da sessão foi “Os Caminhos da Água no Vale do Este, nos séculos XVIII e XIX — do Canal Real aos Canais de D. Maria”, apresentado pela arqueóloga e investigadora Dra. Luzia Pinto da Silva, autora do estudo recentemente publicado em livro.
A sala do auditório da CEVE encheu-se para ouvir a palestrante, num encontro que contou com a presença de cooperadores, da comunidade local, e de personalidades e representantes de instituições locais, municipais e regionais, nomeadamente das Câmaras Municipais de Vila Nova de Famalicão e de Barcelos, das Comunidades Intermunicipais do Cávado e do Ave, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), entre outros convidados.
A conferência constituiu mais um importante momento de aproximação entre a CEVE e a sua comunidade, dando um contributo precioso para a divulgação do conhecimento histórico do seu território, da engenharia hidráulica em Portugal, e do diálogo entre o passado, o presente e futuro.
A sessão foi aberta pelo Eng.º Luís Macedo, Presidente do Conselho de Administração da CEVE que saudou todos os presentes, e que enquadrou e justificou a razão do tema da conferência. Seguiu-se a intervenção do Dr. Helder Pereira, Vereador da C.M. de V.N. de Famalicão com o pelouro do ambiente, que elogiou a iniciativa, e a qualidade e valor do estudo, relevando a importância do Rio Este no conjunto das soluções ambientais locais e do concelho.
Por fim, a Dr.ª Luzia Pinto fez a sua apresentação, com testemunhos documentais desde 1770, anos em que a força das comunidades locais, legitimadas por D. Maria I e dinamizadas pelo padre Francisco de Sales Veloso, mobilizou um movimento que levaria à transformação do traçado de um troço do rio em cerca de 5 km, seguido da importante obra de engenharia, da autoria de um jovem engenheiro militar, Eng.º Custodio José Gomes Vilas Boas, que mobilizou vontades e conhecimentos para dar resposta a um problema coletivo. Um exemplo eloquente do saber técnico aliado ao espírito de serviço público e à ação concertada de uma comunidade, que gerou mudanças duradouras.
Complementarmente, a Dr.ª Luzia Pinto apresentou a complexa rede de canais de rega concebidos especialmente nas freguesias a montante da Ponte do Louro, e aí ainda existentes, providos de engenhosos sistemas de repartição de água para darem satisfação justa a todos os regantes.
Esta conferência foi também, um gesto de reconhecimento público dirigido às pessoas que identificamos no passado, e aquelas que prevaleceram anónimas, mas que todas sonharam com um rio diferente, e àqueles que lideraram e executaram a obra, e a todos aqueles que ainda hoje continuam empenhados em zelar pelo equilíbrio dos cursos de água com a vida das comunidades.